Ontem o Brasil, em especial o Rio Grande do Sul, assistiu uma cena
inédita: um empregado assumindo uma postura totalmente inadequada durante o
horário de trabalho, ao vivo e a cores. As redes de TV durante e após a
partida, e, vários jornais hoje, deram enorme divulgação ao fato. Atribuíram a
um descontrole emocional do jogador que rasgou o seu contrato de trabalho e
atirou os pedaços na direção da torcida do seu clube empregador. O Presidente Empregador
questionado a respeito afirmou que não iria fazer o mesmo, ou seja, se
posicionar de “cabeça quente”, mas, com certeza um fato com tal gravidade
precisa ser analisado com profundidade, e, as medidas que serão tomadas
precisam colocar todas as coisas no devido lugar. O juiz considerou uma
agressão a todas as regras éticas do espetáculo e expulsou o personagem do
campo. Os colegas na sua grande maioria tentaram amenizar a situação e
interferiram tentando trazer à razão quem estava totalmente “fora de si”. Agora
nos resta esperar pelas possíveis consequências que esta atitude impensada vai
ocasionar como quebra de contrato, multa, treinamento em separado do grupo,
entre outras.
Que lições podem tirar do acontecido para criar um balizamento sobre
situações semelhantes que também acontecem dentro de nossas organizações?
Dificilmente podemos considerar o ocorrido como um fato isolado, ou seja, que
nada existia no relacionamento profissional do jogador no seu ambiente de
trabalho até o dia de ontem, que pudesse fazer supor que chegássemos ao extremo
que chegou, pois, mesmo com todo o cuidado que a gerencia de futebol tem de
manter as anomalias dentro do que chamam de “assuntos de economia interna”, faz
algum tempo que posturas e atitudes tem vindo a público mostrando uma conduta
questionável em outras situações. Na verdade o tratamento interno dado a este
perfil emocional não foram suficientes para inibir atitudes deste porte. Ou
seja, ao contrário do que estamos habituados a pensar, muitas vezes, os gestores
na sua maneira de ser e de agir não dão a importância que determinados indícios
sobre a personalidade e os comportamentos dos colaboradores que nos cercam
estão a clamar. No mínimo duas questões precisam ser levantadas: “Estes
comportamentos e posturas que estou percebendo existir poderão deflagrar crises
que ficarão difíceis de administrar? E o que posso fazer intencionalmente agora
para controlar estas atitudes impulsivas e evitar assim que crises
imponderáveis surjam no futuro?”. Quem
sabe estas respostas teriam evitado o vexame.
Depois da porta arrombada dificilmente as correções serão benéficas
para todas as partes. As decisões e comportamentos da liderança, se não forem adequadamente
divulgadas, poderão se espalhar como um vírus e afetar a cultura organizacional.
Este fato crítico com certeza vai desencadear normas e novas regras de
comportamentos para inibir futuras ocorrências contagiantes. Partindo da
tremenda influência que os efeitos trarão ao meio envolvido, os profissionais
precisam transformar radicalmente seus comportamentos e suas crenças através de
estímulos corretos, e, cabe à liderança identificar e construir esses
estímulos. Assim, o ambiente atual exige que os gestores busquem enxergar além
do que está aparecendo; perceber a motivação real que está por trás de cada
fato e de cada relacionamento; criatividade de resposta é a palavra de ordem e
de manutenção da hierarquia e da normalidade. O comportamento diferente que
precisamos incentivar e apoiar são no sentido da visão de abundância, do
crescimento da harmonia no trabalho conjunto, e, em especial, no
desenvolvimento de um clima organizacional que impulsione a organização para
frente e para o crescimento sustentável.

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