Estive hoje assistindo o Zoom do
Varejo, iniciativa do CDL de Porto Alegre. Eram palestrantes convidados o
economista Marcelo Portugal, os empresários Eduardo do Shopping Total e Júlio
Motin da Panvel, e, o consultor de varejo Alberto Serrentino. O foco idealizado
era análises e recomendações de como enfrentar a crise vivenciada neste momento
no país.
Sobre a situação econômica, política,
e fiscal, a recomendação foi um envolvimento maior da entidade nas discussões
que envolvem saídas para os problemas, e, a implementação de um impostômetro em
Porto, hoje existente em São Paulo, a partir do mês de julho, tudo de acordo
com o Presidente do CDL.
Marcelo Portugal reconhece a
existência de uma crise que deve piorar no segundo semestre, mas, reconhece
também, que já vivenciamos situações muito piores anteriormente. Devemos
começar uma melhora em 2016. Hoje vivemos um aumento dos gastos e do déficit
público; um aumento generalizado de impostos; paralisação de muitos
investimentos; atraso nas obras de infra-estrutura; realinhamento das tarifas
dos serviços públicos, em especial água, luz e combustível. A inflação no ano
deverá ficar acima de 8%; o crescimento deverá ficar ao redor de zero ou
negativo; e, e o déficit público deverá ficar ao redor de 350 bilhões. Taxa de
juros acima dos atuais 13,25%. Câmbio acima de R$ 3,00. Notícia alentadora é o
volume das safras agrícolas que serão boas. Crescerá o desemprego e o setor da
indústria não terá crescimento. E, a nossa Presidenta, continuará com a
terceirização do lado econômico com o Levy, e, do lado político com o Temer.
Persiste a dúvida sobre a continuidade desta renuncia branca. Recomendou que em
2015 os empresários evitassem projetos de expansão; foquem no mix de produtos
que vendem bem; mantenham estoques enxutos; realizem corte de gastos; e, fiquem
atentos para o movimento de virada da economia.

Os dois empresários comentaram que
não vão deixar que a crise contamine seus projetos e tão pouco o sistema de
gestão. Darão grande atenção em medidas de desaceleração nos segmentos que
forem mais atingidos e muito foco em manter as vendas ao redor das metas.
Reconhecem que por parte do Governo Federal há má gestão e até um pouco de
incompetência. Concordam com a visão do Marcelo Portugal, mas vão fazer o
impossível para não precisar tomar medidas que reflitam nas pessoas. Eles
acreditam que possuem o aprendizado necessário para manter a boa performance
neste tempo de crise.
O último painelista. Alberto
Serrentino recomenda que os empresários tenham muita cautela para pilotar seus
negócios enquanto a crise perdurar, com competência e maturidade. Todos vão
enfrentar uma desaceleração na expansão do consumo, pressão nos custos e
despesas, estagnação econômica, aumento dos juros e restrições de crédito, desvalorização
cambial, estagnação da geração de empregos, queda na confiança dos
consumidores, e, ajuste fiscal. Empresas bem posicionadas e com rentabilidade
não deverão sofrer muitos reflexos. Teremos a implementação de várias novas
lojas em todos os segmentos. O Varejo digital continuará com o seu crescimento.
Como haverá um aumento da complexidade, recomenda que se priorize o pensar
simples. Enfim, fazer o básico todos os dias e em todas as lojas.