Tenho dedicado um razoável tempo da minha agenda na elaboração de reflexões que abordem a “arte de gerenciar as pessoas”. Quero compartilhar com vocês algumas questões que normalmente surgem das pessoas que participam destas reflexões.
1. O que faz um bom chefe?
- Toma as providências para que as tarefas sejam realizadas da melhor forma possível; dá todo o seu apoio para que seus subordinados realizem um bom volume de trabalho, com qualidade e rapidez, durante toda a jornada de trabalho. Prepara sua equipe para obter êxito em cada etapa do processo de trabalho, e, dá o seu apoio para que os membros da equipe consigam atingir os objetivos. Acompanha de perto o que cada membro da sua equipe está fazendo. Assume que é um líder comprometido com seu trabalho, que arregaça as mangas, monitora o seu pessoal, avalia o desempenho, premia os êxitos, e, pune os fracassos. Tem confiança e coragem para assumir o comando.
- Sabe o que está acontecendo em toda a sua área de responsabilidade, e, toma providências para que o trabalho caminhe da melhor forma possível. Gerencia as pessoas da sua equipe, dizendo o que fazer e como fazer, monitorando, avaliando e resolvendo problemas, e, principalmente, elogiando os que se destacam.
- Se houver algum problema os membros da equipe eles sabem que você está disponível para ajudar na solução. Sabem que podem contar consigo para apoiar. Enfim, não há carência de orientação, direção, feedback e apoio diário. Não há subgerenciamento.
2. Como um líder tem certeza de que dá orientação suficiente aos seus subordinados? Que há apoio, treinamento e instruções claras? Que o seu acompanhamento dos trabalhos realizados é suficiente, assim como, o feedback dado sobre o trabalho realizado?
Você deve deixar claro para todos na sua equipe que não haverá atitudes tipo pegar pela mão e o levar o colaborador para frente. Como líder você diz o que precisa ser feito e espera que os colaboradores se virem para realizar o que for preciso para cumprir com um trabalho bem feito. Todos precisam cumprir com as suas obrigações e deve existir um relacionamento de troca entre o líder e cada membro da equipe. Você tem certeza que a maior parte das dificuldades que normalmente são enfrentadas nas unidades organizacionais pode ser evitada com uma liderança pragmática e dedicada, que reconhece a própria autoridade e a responsabilidade que ela trás.
3. Por que está ficando mais difícil gerenciar pessoas?
Um líder hoje é a pessoa que fica entre o empregador e os empregados que normalmente tem interesses conflitantes. De outra parte líderes em geral fazem de tudo para fugirem de conflitos, preferindo deixar que o trabalho corra solto e que cada empregado precisa aprender a se virar sozinho. Apreciariam também que os membros das suas equipes aceitassem sem questionar qualquer tido de ordem. Só que hoje em função da concorrência não há espaço para desperdício e ineficiência; o mundo se encontra interconectado; a competição pelos clientes é acirrada; o conhecimento é fundamental e tudo está globalizado. As empresas precisam ser ágeis e flexíveis para poder sobreviver, e, os colaboradores têm que se mostrarem cada vez mais competentes para cuidarem de si e de suas famílias. A nova geração de empregados está menos propensos a acreditarem nas boas intenções dos empregadores; questionam abertamente as condições de trabalho e o pacote de benefícios; são menos obedientes às regras da empresa e às instruções dos líderes. O organograma está mais horizontal e a camada de gerentes, coordenadores e supervisores está cada vez menor. Em muitas empresas prevalece a gerência de projetos de curta duração. Todos têm mais tarefas, responsabilidades e obrigações administrativas. Tudo isso ocasionou uma alteração fundamental nas normas e nos valores que afetam a essência da relação entre o líder e o empregado.
4. Qual é então o caminho que os líderes de hoje devem tomar?
O pensamento gerencial dominante deve mudar o rumo da “não intervenção do líder”. O líder deve ser um vendedor de metas, um gerenciador de expectativas, um destacador de pessoas através de elogios, um observador atento na arte de mostrar onde está às falhas e como tomar providências corretivas. A expressão “vestir a camiseta” deve exprimir o conceito de “empowerment” ou “delegação de poder”. Os líderes são meros facilitadores que estão nas áreas para conciliar os talentos e os desejos naturais dos subordinados com as rotinas e responsabilidades de cada cargo. Devem assumir o comando e os colaboradores são “chamados à responsabilidade” pelos seus erros e comportamentos inadequados à cultura organizacional. Desta forma as três principais tendências no gerenciamento de pessoas nas unidades organizacionais serão baseadas no “planejamento de objetivos conjuntos” para cada aspecto das operações; nas “avaliações obrigatórias de desempenho” sinceras de cada membro da equipe e no acordo conjunto de um PDI (plano de desenvolvimento individual); e, principalmente, na “remuneração vinculada ao desempenho”, diminuindo a parte fixa dos salários e aumentando a parte que depende do desempenho, pois, estes quando diferenciados merecem recompensas diferenciadas. Os líderes devem deixar claro para seus subordinados exatamente o que eles devem fazer, assim como, precisam monitorar avaliar e documentar o desempenho real de cada pessoa de forma continuada. Todo o líder deve assumir a responsabilidade pelo seu pessoal e ter pulso firme para tomar as decisões que se fizerem necessárias. Enfim, devem delegar poder adequadamente para que cada funcionário saiba que tarefas lhe cabem, deixar bastante claro o que recai sob a autoridade dele e o que está fora de sua alçada, e, equipá-lo com as ferramentas e as técnicas exigidas pela sua função.
5. O líder para ser justo deve tratar todos os seus colaboradores da mesma maneira?
Tratar todos da mesma maneira, sem levar em conta o modo como cada um se sai, é totalmente injusto. Em muitos casos esta suposta igualdade torna-se uma desculpa para os líderes deixarem de avaliar o desempenho de seus colaboradores e de informar-lhes quando estes fazem algo errado e que acaba impedindo o seu progresso dentro da organização. Quem tem um desempenho baixo ou medíocre não pode gozar das mesmas recompensas dadas a que tem um excelente rendimento. Não podemos premiar a falta de dedicação e presteza, e, colaborar para prejudicar a motivação de quem é bom. Enfim, líderes realmente “legais” fazem o que for necessário para ajudar aos funcionários a terem êxito, de forma que possam prestar a sua empresa um ótimo serviço, e, fazer jus a todas as “gratificações” que são dadas aos bons colaboradores. Para que você possa assumir este papel citado, vai precisar assumir o comando da sua área de modo significativo e duradouro. Isto funciona como uma dieta alimentar ou a um programa para entrar em forma fisicamente. Trata-se de um processo longo e tedioso e exige mudanças fundamentais no seu comportamento de liderança para que se tornem novos hábitos. Não existem atalhos, e leva tempo para os resultados aparecerem. Você vai precisar conduzir algumas conversas difíceis e enfrentar até mesmo alguns confrontos, mas, tenha convicção de que é preciso coragem para assumir o comando e ser um líder forte e proativo.
6. Um gerenciamento adequado exige muito tempo, e, como este anda escasso, o que devo fazer para realizar uma liderança adequada das pessoas da minha equipe?
Existe um mito de que não há tempo suficiente para gerenciar as pessoas dentro das unidades de trabalho. Que todos têm zilhões de coisas para fazer e cumprir e que definitivamente não há tempo para se preocupar com a gestão das pessoas. Isto acontece porque, quando um líder evita se dedicar a qualquer custo a gastar parte do seu tempo na liderança proativa da sua equipe de trabalho, as coisas andarão mal. Pequenos problemas vão se acumulando, ficam grandes, e, num dado momento não podem mais ser ignorados. Quando se tem um problema grande, temos que parar, dedicar atenção e resolvê-lo. Lembre-se que a parte do seu dia que você gasta na gestão de pessoas representa um tempo muito bem aproveitado. Neste trabalho você ativa a capacidade produtiva das pessoas sob o seu comando. Quinze minutos de conversa com um subordinado são suficientes para que ele se comprometa com horas, ou até dias, de alta produtividade. Se você aplicar com inteligência o seu tempo na gestão das pessoas, atentar para os fatores básicos de cada etapa do processo, muito dos problemas serão evitados.

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