Zoom do Varejo 2015 – Cenários para o Brasil Pós-Eleições
Estive no dia de ontem (28/10/2014) no auditório do CIEE acompanhando o
Zoom do Varejo 2015 onde se apresentaram pela ordem o economista e ex-diretor
do Banco Central Alexandre Schwartsman, Peter Furukawa Presidente das Lojas
Quero-Quero, Artur Grimbaum Presidente do Grupo O Boticário, e, José Galló
Presidente das Lojas Renner.
O economista Alexandre comentou que as eleições de 2014 deixaram um
recado claro para todos os brasileiros: a) temos vários brasileiros que hoje
estão se locupletando das nossas riquezas e o país não quer mais saber de
permissividade neste sentido; b) que
este governo reeleito tem adotado uma política de primeiro distribuir
para depois construir e este modelo vai nos levar para uma crise sem
precedentes. O governo Dilma conseguiu que
o crescimento que desde Fernando Henrique Cardoso vinha se mantendo num patamar
bom entre 2,5 e 4,5 % de crescimento no PIB, vamos fechar 2014 com algo abaixo
de 0,30% de crescimento. Estamos na contra mão do mundo que cresce bem acima
deste patamar. Nossa produção industrial parou de crescer enquanto no mundo
cresce. Cada vez mais temos menos pessoas aptas para trabalhar, e, nossas taxas
de produtividade despeçam e o crescimento do valor dos salários cresce,
corroendo as margens de lucro dos empresários. A inflação permanece elevada
(6,75%) e as medidas somente pontuais não vão alterar este quadro e
dificilmente caíram nos próximos 12 meses. Há evidentes sinais de piora na
condução da economia do país apesar do Ministro da Fazenda achar que o
resultado das urnas mostra concordância com o modelo que vem sendo utilizado. O
uso das taxas de câmbio pelo Banco Central como um freio ao crescimento da
inflação esgotou-se. Enfim, sem mudar a política econômica nada vai mudar. E o
verdadeiro Ministro da Fazenda continuará sendo a Presidenta Dilma.
O Presidente das Lojas Quero-Quero Peter Furukawa comentou que o Brasil
representa 42% do PIB da América Latina e hoje tem um crescimento abaixo de
0,3%, o que é muito ruim. Temos gargalos como nação industrializada em mão de
obra (inapta), burocracia (crescente) e infraestrutura (baixo investimento). A
migração da população para a classe média e alta foi considerável desde o
governo do presidente Fernando Henrique, mas o mercado comprador destes últimos
anos vai se acomodar agora. Temos um grande número de negócios familiares,
temos muitas oportunidades a serem exploradas, mas precisamos melhorar a
eficiência da mão de obra como tema prioritário. Desta forma visualiza os
seguintes desafios a serem vencidos pelo povo em parceria com o governo: a)
aumentar a produtividade em todos os sentidos, tipo aumentar as venda por m2;
b) melhorar a gestão das margens do negócio focando de forma muito especial na
redução dos custos e despesas, e, principalmente encantando os seus reais clientes;
c) manter a eficiência em crédito e cobrança para reduzir o endividamento geral
das famílias; d) continuar atuando de forma integrada para construir a empresa
dos sonhos de cada um, aquela baseada em verdades fundamentais e valor dos seus
acionistas, não se esquecendo de fazer os ajustes necessários nos modelos de
negócio.
O Presidente do Grupo O Boticário Arthur Grimbaum iniciou sua
apresentação afirmando que “não conhece nenhum pessimista que tenha dado certo
na vida” e que há sempre uma forma de se fazer melhor seja o que for. Afirma
que os desafios da Presidenta eleita serão prioritariamente no crescimento da
inclusão social, no combate à inflação, no crescimento do emprego com
capacitação da mão de obra, e, no acúmulo novamente de reservas cambiais
compatíveis. Suas expectativas são de que o novo comandante da pasta da fazenda
consiga: a) reverter o quadro de baixo crescimento econômico; b) aumentar a
geração de empregos com aumento da produtividade e não dos salários médios; c)
aumentar a taxa de investimentos produtivos em infraestrutura; d) iniciar uma
desoneração política na economia; e) manter uma taxa de juros que seja
apoiadora da retomada do crescimento econômico; f) reduzir as taxas de inflação
com mecanismos que a mantenham na mediana e não no limite superior das metas;
g) redução no gasto público; e, h) retomada da confiança geral nos indicadores
da economia.
O Presidente das Lojas Renner iniciou comentando que temos que criar um
processo adequado de mudanças para o bem de todos os brasileiros através de uma
união nacional sem precedentes. Que o nosso RS está numa situação delicadíssima
principalmente pelo alto endividamento. Que o país volta agora em 2015 para uma
normalidade de consumo e não vamos mais ter um mercado amplamente comprador
como nos últimos anos, pois a demanda em todos os segmentos será menor. Que os
empresários tem que focar em entregar o que os seus consumidores querem, e,
principalmente, criar um diferencial competitivo para contar com a preferência
dos consumidores. Entender que situação financeira enfraquecida é problema de
estratégia de negócio e não “problema de caixa”, pois este é somente uma
consequência e não uma causa. Que a proposição de valor geradora de sucesso em
outros tempos não deve ser mudada, e, tão somente reformulada, mantendo-se os
aspectos fortes da competição inalterados e, por consequência, a essência e o propósito do negócio também
inalterado. Enaltece também a exemplo dos que o precederam neste evento um foco
muito grande no aumento da produtividade da mão de obra e na gestão adequada de
custos e despesas. Recomenda que para saber se o modelo de negócios é certo
para a realidade atual de mercado, precisa conversar com os consumidores, tipo,
falar todos os dias com cinco compradores e questionar sobre o que eles acham
dos seus produtos, dos seus funcionários, da sua loja, se encontram o que
desejam; sobre o que está faltando, etc. Faça o mesmo com os seus empregados,
ouvindo o que eles acham da sua empresa e do seu modelo de gerenciamento, quais
são os seus temores e qual o papel que eles gostariam de assumir dentro deste
processo de melhoria. Defina se você já pertence ao NOVO VAREJO ou ainda atua
no VELHO VAREJO. Como está o seu processo de automação; o seu processo de
logística; seu relacionamento com fornecedores; etc. Faça sua empresa ficar
simples. Cuide para não ser um dirigente complexo que precisa construir uma
empresa simples. Enfim, resumindo tenha bem claro para si duas questões: a)
Qual é a minha realidade para enfrentar este período de ajustes que se
avizinha? Quais são os problemas que preciso enfrentar de forma urgente?
No Talk Show que encerrou este evento prevaleceu entre os painelistas
que a economia num primeiro momento não deve apresentar resultados muito
diferentes dos atuais, mas que eles deverão acontecer ao final de 2015, pois a
diferença nas urnas ao redor de três milhões de votas mostra para a Presidenta
que o seu espaço de manobra para manter o atual modelo econômico é pequeno.
Entre as medidas recomendadas para enfrentar o período de ajustes que deverá
acontecer no inicio de 2015 destacaram-se: reduzir estoques, ajustar despesas
fixas, recrutar gente com qualidade, e, melhorar o grau de confiança dos
empregados no gerenciamento dos empresários. Todos reconhecem que a qualidade
da mão de obra e a sua produtividade somente melhora com muito treinamento.
Finalizamos, recomendando que todos os executivos e empresários
precisam neste final de ano provocar em suas organizações uma reflexão conjunta
sobre os cenários para 2015 e as medidas estratégicas que precisam tomar para
estarem alinhados com esta nova realidade.

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